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ENCONTRO MARCADO


Por Raul de Taunay*

* Raul de Taunay é Embaixador do Brasil junto ao Congo. Serviu também em Paris, Roma, Luanda e em diversas outras capitais africanas. Lança nesta sexta-feira, 19 de maio, às 18h na Casa das Rosas (Av. Paulista, 37, São Paulo-SP) o livro Poemas ao Desabrigo (Ed. 7 Letras, 223 pp., R$ 35).


O Brasil estará em polvorosa nesta sexta-feira em função de novas escutas e delações que provavelmente virão à luz durante o dia surpreendendo a nação e dividindo ainda mais os brasileiros. No meio dessa crise que, estou certo, todos lamentamos, vejo-me fiel a uma programação que tenho executado com dedicação durante minhas férias regulamentares, uma pauta na agenda que venho cumprindo com perseverança em nome da poesia, que insiste em falar ao meu coração com entusiasmo e dramaticidade, como se a avenida Paulista estivesse invadida de musas celestes em todos os lugares, e não de manifestantes, prontas a incendiar a Casa das Rosas hoje, às 18 horas, quando estarei autografando meus Poemas ao Desabrigo.

Nada difícil para mim situar a própria obra neste contexto convulsionado pois, no fundo, meus versos são brados ardentes e revolucionários, livres dos preceitos asfixiadores das escolas literárias clássicas, porém tolerantes com a forma e o fundo do que aspiro seja o versejar. Jamais imaginei refletir algo que não fosse ímpeto, portanto, expresso neste desabrigo a humanidade desobrigada que carrego comigo fora das jaulas do pensamento.

O poeta não precisa ser perfeito, nem se espera isso dele - e certamente estou longe como pessoa da perfeição que não busco - porém, como um cometa imprevisível, ele deve irradiar algum faixo de luz, harmonizando vida e obra, e sendo honesto consigo próprio, e com o que verdadeiramente é: uma ventania que venta sozinha, um deserto oco que não silencia, a desolação tardia de quem almeja findar na tarde vazia.

Espero que o meu livro seja majestoso como a natureza luxuriante das nossas matas. Espero também que ele tenha saído arrojado como os rios gigantes do nosso Brasil, ou como o rio Congo, que inspirou alguns de seus versos. Aspiro, por fim, que ele continue livre, assim como nasceu, em plena e total liberdade, com a independência que embala os ventos renovadores e a emancipação que atiça a maré crescente das transformações.

E se tiver que responder perante a posteridade pelo que estou sentindo, poderia abreviar desta forma:

- De todos, qual foi o meu melhor livro? - O próximo.

- De todas, qual a melhor atividade? - O poema.

- De tudo, qual a melhor coisa do mundo? - O amor, o amor à humanidade, o amor ao belo e ao bruto, o amor coletivo, o amor pessoal, o amor pelo amor...

Sim, porque o amor ajuda a processar a criação. Antigamente, ia-se no embalo com papel e tinta, hoje basta-me o iPhone para ir teclando e sonhando. Sonhando que possa sentir amor, e que venha a ver a todos hoje na Casa das Rosas.

Até lá...



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