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Pestilência

Pestilência

por Ana Paula Arendt


Uma teoria em queda livre Chuta para fora do ventre da noite, Reclama no lapso de tempo e de sombra Em que deixou tarefas e recados. É chamada de chave para quem o substitui.


As moscas ao redor de um pedaço De carne viva, de reza, de causas Ignoram a transferência de chamada. Meu calcanhar machucado não me mata. A mosca quer e não quer a eternidade De ter aberto enorme fenda Onde alguém busca sinalagmas.


Ele abriu contratos e Deixou em túnel as respostas, Os pedaços de pão na estrada Que os pássaros vão comendo.

Quer retornar com pressa, No corpo da truculência De um homem delirado, Sem cabelos, Que come os pássaros crus e Os pedaços de pão na estrada.


A voz do além, Do funeral mal feito E da falta de saudade, No teu corpo É tosca.


Mosca.


Ai, o malhete gira, A mente infantil infernal Do homem cresce, Mas não trabalha: Os homens feitos de fôrma.

Quem matou a teoria?

É assim que ele me ouve, O que ele mesmo diz A si mesmo.

Quer se ver no espelho do rio, Para saber se é verdade quem é ele. Medo de perguntar a si mesmo, Cansado das perguntas que Outros lhe fazem enquanto dorme.


Tudo hoje é punir para ser lido, A falta de aparência Em busca de diafragma, Porque a truculência Quer trabalho, mas Não encontrou a resposta.

Não seguiu meus bons conselhos.

Truculento, ignorou o grito do homem:

Já despojado de inteligência,

Já calada a consciência, Quer ser levado a qualquer parte.


Os diagramas.


A máquina gigantesca de fúria; E quem mais odeia denuncia, Para prevalecer o amor forçado. Contudo colaboraram para o ódio Os que o denunciam, sem saber ter ódio: Ah, o seu papel fundamental, De criar antagonismos a quem Já não mais atraía... Ah, o fomento sempre registrado Nos dígitos e nas coisas não ditas Entre as coisas de mulheres...

Os homens que deliram de amor comprado, Dizendo ser isso amor.


Um delírio de alma quente nos infernos, Que escolheu homem jovem Para terminar o futuro que lhe foi impedido.


Vá em paz à sua vida, Aquele que fez uso da teoria Para promover a desordem e a discórdia, E a matou, Porque não tem futuro! Vá em paz à sua vida, Ó aliança implícita entre poderes vacilantes, Desconfiados de suas próprias lágrimas; Entregando aos vórtices Quem pertence ao meu colo.


Fique aquele que abre a página do futuro, As razões pelas quais dizemos o silêncio. Parece improvisado? Também é, quando vem, sem razão alguma, Sem crime ou sem justificativa, A tua morte, em idade apropriada, Depois da velhice, Pela qual luto.


Deveria dedicar-se ao que aceitou, À escolha do que faz algo ser lido, Ao prazer do labor no tempo; À incerteza que chora: Ao próprio nome. Ao invés de perseguir quem questiona, Ensinando, na fenda de queda livre, Quão frio é poder sem fruto, O abraço entre a pestilência e o exógeno,

Que encantou quem tentou matar teorias.


Envio de volta esse desgraçado ao decano, Na minha teoria de perda de tempo; Não, a teoria não está morta. Porque prefiro ler homens puros Que se entregam desarmados, Ter nos versos recordações de praia; Fazer eco em folha sem medo.


A. P. Arendt. Canarinhos e andorinhas.


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