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Presépio pequenino

Antes tarde do que nunca, este presente de Natal para meus leitores.






Presépio pequenino

por Ana Paula Arendt




(Dedicado a Carla Anastasia, a meus Filhos e amigos)

Brasília, 24 de dezembro de 2021

Uma moça me surgiu e reclamou,

aguardando viesse o Natal me fitou:

querendo de volta o tempo de alegria,

a visita que no coração Deus nos fazia.

Mas movimento pelas ruas,

compras minhas e suas,

pinheirinhos, roupas, comidas;

decorações e fotos batidas.

Como outrora, há muitos confortáveis lugares

para as filhas dos comerciantes, em pares

Para todos que habitam as vilas mais ricas,

Mas não há espaço para quem faz súplicas…*

Buscamos em tantas coisas os nossos motivos!

Mas excluímos o Salvador do mundo como algo facultativo.

Vamos então sentar e abrir o Livro Sagrado:

reler o que excluímos, doze sentidos reencontrados.

* Venerável Fulton Sheen, “O início da vida de Cristo”, in: Vida de Cristo, Fons Sapientiae, 2018, p. 31.

1

O sentido da pobreza

Muito longe da cidade, na periferia

Muito longe do conforto que a noite pedia

São José não recebeu da abundância sendo operário.

Deus poderia, mas preferiu seguir outro itinerário.

Ele cuidava de Nossa Senhora, em trabalho de parto

Mas quem queria sangue e o Salvador em seus quartos?

O Senhor veio para nos libertar de nossos pecados todos

Mas em jantares de abastados não se toleram naturais incômodos.

Muitas mulheres pobres dão hoje à luz com um médico

Mas era Belém, ano zero, em tempos malédicos…

Havia amplo espaço para quem tinha dinheiro, ouro e luxos

mas nenhum minúsculo cômodo de compaixão por um pequerrucho.

Nosso Senhor Jesus Cristo nos explica mais tarde:

Ele vem desprovido, para os que não temos quem nos guarde.*

Até que faz sentido, Deus vir assim para quem mais precisa!

Afinal, assim conosco, Deus pode fazer cessar quem nos pisa.

A maior parte do povo, no entanto, preferia Herodes

Sentiam-se seguros com um arrogante que de tudo se incomode.

E quando o poder o levou à loucura e à matança em massa

Milhares perderam a alma, por comando de seus comparsas.

Não das crianças temidas por Herodes se tornassem maior Rei que ele;

mas dos homens e mulheres violentos que apoiaram essa grei reles.

Hoje os bebês são Todos-os-Santos-Inocentes, conforme sei na pele.

Então Deus se fez em carne e osso para curar nossas angústias

Não veio para envernizar palácios, brotou num campo de indúcias.

Quanto dinheiro é suficiente para comprar o amor e a ternura?

Deus não precisa comprar o que já possui, nos dá e nos cura.

* "Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido,

mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão”. (São Mateus, 20:28)


Imagem: Adinalzir Pereira Lamego. Reconstituição do Presépio Magnífico, feito por Aleijadinho (1738-1814) para a Igreja da Ordem Terceira de São Francisco de Ouro Preto, por volta de 1790, do qual só restam quatro peças secundárias, no Museu da Inconfidência.

2

O sentido dos animais e da natureza

Nosso Senhor nasceu no meio dos animais:

os primeiros que o viram não queriam saber dele, irracionais.

Os bichos só compreendem punições e recompensas;

mas não se incomodavam com o barulho de uma nascença.

Nós também muitas vezes somos egoístas e previsíveis

Agindo bem quando interessa, com medo de males possíveis.

Também grunhimos e nos destratamos como seres brutos:

sem refletir, não perdemos com as brigas poucos minutos.

Ainda assim, raramente os animais matam a própria espécie…

Se bem existem peixes que se devoram, depois de mortos sem prece

apenas os seres humanos são crueis uns com os outros enquanto vivos.

Talvez mais seguro fosse mesmo ficar longe, não ser dos homens cativo.

Afinal, Deus preferiu nascer meio aos bichinhos em Belém, afastado;

O filho do Homem não tem onde descansar tranquilo e relaxado…*

Muito antes de São Bento, Santa Escolástica, Santo Inácio e São Francisco

Nosso Senhor Jesus Cristo já tinha residência debaixo de orvalho e chuvisco.

* “As raposas têm suas tocas e as aves dos céus têm seus ninhos;

mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. (São Mateus 8:20)

3

O sentido da nobreza

Três Reis Magos visitaram Nosso Senhor quando Ele era criança:

sendo sábios acreditaram em boas notícias sem fazer cobranças.

Eram capazes de acreditar e contemplar algo inexplicável

No céu uma estrela se move, eles se guiaram por algo admirável.

Foram nobres três vezes, porque se alegraram em saber do Menino*;

porque ofereceram ao novo Rei, e não a si mesmos, presentes finos;

e porque buscaram primeiro alguém que quiseram fosse maior.

Não ficaram aguardando dele homenagens, nem milagre ulterior.

Todo Natal trocamos presentes com alguém amado,

dando um pedacinho da memória dos Reis e de seu Adorado.

A nobreza é participar no sucesso de um querido amigo,

ser generoso, dar algo que a nós é caro e conceder abrigo;

buscar satisfazer à vontade de Deus, não declarar inimigos**.

Sendo nobres, não presentearam para demandar favor de volta:

Estavam felizes e adoraram Deus conosco, fizeram a Ele escolta.

Os Reis sábios se rejubilaram em constatar gente simples de bem:

porque sabem que, no fundo, é o que são todos Reis também.

O povo escolhido é donde saem os mais inteligentes, ordeiros e sinceros;

não merece mais ainda o Rei deles ouro, incenso e mirra, com esmero?

Pois um Rei carrega todas as epítomes e contradições de seu povo.

Assim também o Rei dos Reis, Nosso Senhor Jesus Cristo, e seus renovos.

*"A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria." (São Mateus 2:10)

** E, sendo por divina revelação avisados em sonhos para que não voltassem para junto de Herodes, partiram para a sua terra por outro caminho. (São Mateus, 2:12)



Imagem: Os três Reis Magos, mosaico bizantino, circa 565 d. C., Sant’Apollinare Nuovo, Ravenna, Itália.


4

O sentido da família


São José não abandonou Santa Maria:

quando foi imprecada, a desposou, o que quase ninguém faria.

Ele se ofereceu a Maria diante do próprio desapontamento,

não pesou a humilhação de um Filho que não fosse seu rebento.

Nossa Senhora sabia que ela era parte de um plano divino

Mesmo assim não ficou arrogante, a Mãe de Deus pequenino.

São José e Virgem Maria, o mais copioso modelo

do verdadeiro amor, da paz no lar, do convívio mais belo.

Eles bastavam um ao outro, sem crítica ou acusação

enquanto buscavam hospedaria para o mistério da encarnação.

Quando falharam, e não tinham lugar para onde ir juntos

São José não pediu favores a outras mulheres puxando assunto.

Ele guardou sua dignidade para Maria, seu Filho, o êxito conjunto.

Então finalmente há um presépio e manjedoura para o parto

Estavam felizes por ter amor firme em tempo de tantos casais fartos.

O sentido da Família se revela então bastante Sagrado:

apoiar-se mutuamente quando há dúvida, dificuldade, destrato.

Mas a Sagrada Família não é apenas a família pequena:

Tio Zacarias* e Tia Isabel, Santos de palavras e poemas.

Seu Filho São João Batista prepara o caminho da promessa

Também Maria, irmãos e primos têm de Deus fome e pressa.

Há, até mesmo, um primo de Jesus entre os Doze:

São Judas Tadeu, das causas impossíveis, nos segura a urze.

Mesmo na viagem e distância que para o Imperador romano se cumpria,

em Nosso Senhor Jesus Cristo, os olhos lembram a mãe, um jeito da tia,

um nariz dos irmãos, o sorriso do tio, as orelhas do Pai, os pés do primo.

Todos presentes no nascimento de Jesus Cristo, familiares divinos…

Hoje um campo minado, por vezes a família, no tempo do Natal:

lugar em que dispensamos cautelas, há vulnerabilidade total.

Urgente aprender do Mestre como lidar com ciúmes e disputas:

fazer de nossa vida uma oferta, todo mal Deus nos refuta.

Nosso Senhor nos chamou de amigos, ensinou que é nosso, o Deus Pai.

Nos fez nascer todos seus Filhos, e nos deu Sua mãe, nos fez iguais.

* Cântico de Zacarias: São Lucas, 1:67-79.

5

O sentido de ser criança

O Messias verdadeiro não nos vem adulto,

nem nos nasce de rainha sensual e poderosa.

É um menino em aspecto como todo outro,

sua Mãe ainda não sabe seduzir, é amorosa.

Ser criança é ser como Jesus Cristo:

sorrir para quem vamos conhecendo,

pensamentos puros e sem malícia.

Buscar a alegria mesmo nos imprevistos,

estar sempre em desenvolvimento,

dependente de atenção, com pudicícia.

Qual criança busca na vida a tristeza,

Qual bebê não nos sorri de volta em frêmito?

Deus nos mostra com toda certeza:

o doesto é algo aprendido, e não congênito.

Deus nos nasce em Belém criança*,

assim nos vai ensinando a virtude e a esperança,

não nos quer controlar, nem se impor a governados.

Pelo contrário, nos pede ser cercado de cuidados:

melhor do que se fosse Ele um pleito inalcançado.

Deus nos destina a cuidar d’Ele em pessoa,

a amar e respeitar sua figura, divina ou frágil.

Podemos recusar indispostos a abrir um livro à toa,

Mas não abandonamos uma criança tão fácil.

* “Por isso, o próprio Senhor vos dará um sinal: uma virgem conceberá e dará à luz um filho, e o chamará ‘Deus Conos­co’. Ele será nutrido com manteiga e mel até que saiba rejeitar o mal e escolher o bem.” (Isaías, 7:14-15)

6

O sentido da gratuidade

São José e Santa Maria foram banidos a um estábulo,

na época era um pecado não ter muito dinheiro.

Contudo jamais cobraram aos Pastores

ingressos para ver o Salvador por inteiro.

Os Reis Magos tampouco cobraram algo em troca

dos presentes generosos de adoração ao Deus Menino.

O Natal é um evento gratuito, universal, e mesmo barroca,

a Sagrada Família está em um presépio pequenino.

Algum pai cobra dinheiro de seu filho, para seus cuidados?

Alguma mãe já cobrou pelo sorriso que o filho dá ao seu lado?

Deus também é Pai universal e nos deu Sua mãe de graça*.

Não nos cobra contrapartidas, nem veio só para uma raça.

* “De graça recebestes, de graça também deveis dar!” (São Mateus, 10:8)

7

O sentido dos anjos


Os anjos cantam e entonam versos:

“Glória a Deus no mais alto dos céus,

e paz na terra aos homens por Ele amados”*.

Deus, o Criador do nosso universo,

não fez o Natal sem arrepios nos seus,

há grande emoção onde anjos voam desarmados…

Os anjos são invisíveis como o amor é também invisível:

no entanto todos vemos que eles existem, algo incrível.

Quando aparecem com a boa nova, os Pastores ficam temerosos.

Também nós temos medo de expressar emoções, de ser fantasiosos

Porque receamos ser julgados e condenados pelos outros.

Mas os anjos obedecem a Deus, e nos enternecem nada pouco,

Um exército celestial nos fala de algo maior do que nós mesmos:

em todo paraíso voam os anjos, entre a terra e o céu fazem desmos.

* Lucas 2:14.

8


O sentido de reinar

Antes de Nosso Senhor, ter poder era ser implacável:

dar ordens e ser obedecido, vestir roupa admirável.

Ser o centro de atenções dos nobres da corte,

Ser recebido por reis e estadistas, ter privilégios e suporte.

Mas Jesus Cristo nasce sem esplendor algum*,

promove a paz e salva as pessoas sem exército nenhum.

Não tinha enorme orçamento para multiplicar o pão:

bastava sentar e dividir o que tinha à Sua mão.

Mesmo sendo um bebezinho, Jesus já ensina o que é reinar:

bastou que nascesse para o bem existir e o bem governar.

Uma estrela O segue desde longe, e sobre Ele estaciona;

os anjos surgem e cantam, os animais descansam, tudo funciona…

Os ambiciosos ficam à distância, os pastores contemplam,

os Reis de nações distantes vêm até Ele e muito se contentam.

A família se torna sagrada, a noite se torna feliz, todos se alimentam.

Ele carrega sobre si nossas dores, sofrimentos, nossos erros;

nos ensina a ter sonhos, a evitar a crueldade e preferir o desterro.

* ”Ele surgirá como um ramo novo perante ele, como uma raiz numa terra árida. Ele não tem uma figura imponente nem esplendor; e, aos nossos olhos, a sua aparência não é atraente. Ele foi desprezado e evitado pelos homens, era um homem que sofreria a dor e que estava familiarizado com a doença. Era como se o seu rosto estivesse escondido de nós. Ele foi desprezado e não o levamos em conta. Na verdade, ele mesmo carregou as nossas doenças e levou sobre si as nossas dores”. (Isaías 53: 2-4)

9

O sentido da paz


A violência surge do conflito

O conflito eclode da controvérsia,

A controvérsia é praga da disputa.

A paz nasce da beleza sobre a qual reflito,

A reflexão vem da luz de uma descoberta,

A descoberta brota de quem Deus escuta.

Muitos buscam estabelecer uma verdade para todos,

A versão da realidade definitiva contra engodos:

Mas Deus não se faz argumento, sim Menino numa manjedoura.

Não se pode refutar a beleza de um nascimento*, nossa paz é vindoura!

Para nós seria um grande desconforto

Nascer onde os animais comem absortos.

Mas os pastores contemplam, os Reis magos visitam

São José e Santa Maria dão graças, esta paz os homens fitam.

* "Entrando, o anjo disse-lhe: “Ave, cheia de graça, o Senhor é contigo”. Perturbou-se ela com essas palavras e pôs-se a pensar no que significaria seme­lhante saudação. O anjo disse-lhe: “Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus. Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim”." (São Lucas 1: 28-33)

10

O sentido da estrela


Só uma estrela tem brilho próprio na esfera celeste,

os outros astros singram e refletem o que o sol veste.

Ainda assim, produz luz discreta para os olhos humanos:

Nos deixa contemplá-la, na noite fresca sem nenhum dano…

Piscam no céu timidamente, tão distantes nos são como os monges.

Mas são corpos gigantescos, movem tudo ao redor mesmo longe.

Qual o sentido dessa estrela, que se move ao redor de Jesus Cristo?

Não são os corpos que giram ao redor dela, conforme visto…

Ao contrário, a estrela é que por Nosso Senhor é movida!*

Deus provou sua magnificência: o universo obedece a quem lhe deu vida.

Assim também é Jesus Cristo, da mesma natureza de Deus.

Suas palavras têm brilho próprio, ao redor dele se movem todos os seus.

Nossa Senhora tem um manto de estrelas com que nos recobre bem pronta:

do Rosário têm mais de uma dezena, às vezes cinco, em Suyapa seis pontas.

Pontas de estrela: coisas que só um poeta ou geômetra conta…

Somos minúsculos, e as estrelas tão gigantes, será que ligam para isso?

Quem poderá contar todas as pontas que uma estrela brilha, seu viço?

Há rainhas com mantos de luxo, que as mantêm no frio aquecidas

Mas naquela noite havia só um manto de estrelas embevecidas.

Nossa Senhora parindo pelo mundo, e por ele esquecida.

* "E eis que a estrela, que tinham visto no Oriente, os foi precedendo até chegar sobre o lugar onde estava o menino e ali parou." (São Mateus 2:9)

11


O sentido do amor

O amor não vê defeitos, de quem é amado contemplamos a perfeição.

Tendo fé no que ouviram dos anjos, os Pastores conheceram uma razão.

Deus é amor, e quando Deus nasce, faz amor presente conosco.

Sacia nossos olhos, nossa alma, tudo é sonho, como dizia Dom Bosco.

São José não encontra defeitos nas dores de Santa Maria:

Santa Maria não encontra defeitos na ajuda que São José fazia.

Quando Jesus nasce, preocupam-se em dar conforto a ele.

Os Pastores veem a cena, sem conflito, disputa ou controvérsia reles.

Como não cuidar da paz que ali nasce, a beleza que ali surge?

Os anjos tinham razão quanto ao futuro: está salvo, porque o amor urge.

Os Reis encontraram posteriormente Jesus, Maria e José numa casa*.

Os Pastores também tiveram cuidados, o calor no peito de uma brasa**.

O amor de Deus assim se estende, de uma família, aos anjos, aos pastores

Aos animais, aos reis e à humanidade, aos ricos e pobres, de todas as cores.

Quando nós amamos, o mundo inteiro ama, tudo no mundo é perfeito

Deus é amor, e quando Deus nasce, tudo está certo e direito.

Deus é amor, e quando Deus nos vem, estamos felizes e satisfeitos.

* "A aparição daquela estrela os encheu de profunda alegria. Entrando na casa, acharam o menino com Maria, sua mãe. " (São Mateus 2:10-11)

** "Depois que os anjos os dei­xaram e voltaram para o céu, falaram os pastores uns com os outros: “Vamos até Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou”. Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura. Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino. Todos os que os ouviam admi­ravam-se das coisas que lhes contavam os pastores. Maria conservava todas essas palavras, meditando-as no seu coração. Voltaram os pastores, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, e que estava de acordo com o que lhes fora dito." (São Lucas 2: 15-20)

12


O sentido da vida

O Natal acontece havendo um pai, uma mãe e uma criança.

Há mais de dois mil anos celebramos o nascimento da esperança.

Tio Zacarias estava feliz, porque simplesmente estava vivo*

Para ver nascer o Messias cumprir a profecia de salvar os cativos.

Estava vivo para ver a mudança do mundo injusto para a justiça

Do ódio ao perdão, o fim de guerras, curas, milagres, o fim da cobiça.

A vida: o privilégio de ver diante de nossos olhos essas cousas.

Acontecem o tempo inteiro, eis o bem vencendo, a vida essa lousa.

E ao fim deste Presépio Pequenino, o grito festivo: Feliz Natal!

Grande festa da vida, ter e dar vida, um amor sem igual.

Satisfação pelos Séculos dos Séculos**, vitória da vida, o fim do mal.

* (São Lucas, 1:67-79)

** “Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo, e o Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim”." (São Lucas 1: 33)


Imagem: O primeiro presépio teria sido encontrado nas escavações da Catacumba de São Valentim, datada de 380 d. C. (Osborne, John, "Early Medieval Wall-Paintings in the Catacomb of San Valentino, Rome", In: Papers of the British School at Rome Vol. 49 (1981), pp. 82-90. Contudo o costume de montar Presépios no Natal teria surgido em Greccio (cidade perto de Roma, na Itália), quando foi feito por São Francisco de Assis, no Natal de 1223 d. C. Eis a imagem do primeiro presépio de São Francisco de Assis.