Um basta à estupidez
- há 6 horas
- 13 min de leitura

Um basta à estupidez
por Ana Paula Arendt*
RESENHA DE LIVRO – Penso que o meu leitor merece algumas palavras sobre o livro mais recente de Ion Parreah, “How Shakespeare Can Save the World: a Survival Guide Against the Apocalypse of Stupidity” (em português: “Como Shakespeare Pode Salvar o Mundo: Um Guia de Sobrevivência Contra o Apocalipse da Estupidez”). Ion Parreah é um autor aclamado mundialmente, político experiente em diversos países na África, na Oceania, nos Bálcãs e na América do Sul, o qual resolveu escrever seu novo livro sob um pseudônimo. Experimentou sistemas de governo que funcionam e os que não funcionam. Ator político que bebe um conhaque muito caro, é tanto capaz de incendiar um sistema político que lhe pareça injusto; quanto de resistir e aliviar a vida do estadista fatigado, já sem esperança, para lhe dar grande sobrevida. Tem uma esposa belíssima que muito estimo.
Sendo a biografia do autor muito importante, e o conhaque francês dele muito caro, tomo todo o meu tempo para ler atentamente a obra e partilhar com o leitor algumas impressões sobre essa poção de lucidez, dose de um antídoto.
O pseudônimo resume bem a personalidade dinâmica do autor: um íon, partícula desgarrada que salta em órbitas atômicas, sujeito desassossegado. Parreah, uma palavra que talvez venha de algum idioma irlandês antigo, mas que encontra ressonância onde estou, na Índia: pariah, no sânscrito, é a raiz da palavra “pária”, que define os excluídos da sociedade, que não valem nada. Quer o autor ser um pária solto por aí que não tem nada a perder, provavelmente. A escolha do pseudônimo, ou do heterônimo, embute o significado do que gostaríamos de ser? Quer se distanciar de si mesmo? Eu acho que não, parece-me que reflete o que admiramos, algo que o autor celebra, o propósito de algo. Pode-se amar muito a si mesmo e a própria identidade e, ainda assim, querer construir um espaço criativo, diferente do espaço onde desempanhamos função oficial. O pseudônimo é algo que se escolhe viver, pois a escrita constrói a realidade em que o autor vive. E tantas autoridades escolheram pseudônimos: Pablo Neruda, Alexis Léger, Gabriela Mistral… Foram espaços de criação necessários para separar o ato sagrado de criar da esfera oficial, da previsibilidade.
Mas à escolha desse nome, Ion Parreah: o autor que se atribui menor valor e importância em seu nome já começa assim limpando a nossa cabeça do que é supéfluo e construído com a intenção de convencer, sobrevalorizar ou falsificar.
E se coloca em um lugar de fala muito especial: o livro é narrado por um bobo da corte teatral, o “fool” inglês, único ser livre em qualquer reino, que pode dizer o que quiser, sem ir parar na masmorra, nos sistemas de governo autoritários e centralizados. A licença não é poética, é de teatro. Talvez assim ele faça do leitor o grande monarca que deseja agradar, contando com esse privilégio para nos alcançar, ao pé do ouvido. Não há, portanto, livro mais delicioso para ler, tendo sido feitos o rei ou rainha pelos punhos do próprio autor. Ele quer denunciar, dizer a verdade: e narrando como o bobo da corte, quer saciar a sede do leitor.
O título também, parece escolhido criteriosamente. É uma obra dirigida ao bem comum, . Ele notou o risco evidente que o mundo corre, de destruição e caos; e buscou uma solução possível, fora dos espaços decisórios que nada decidem. Foi buscar um nome apropriado para ridicularizar a inoperância dos poderosos: Shakespeare.
Curiosamente, o poeta inglês que escrevia para a mulher mais poderosa da Europa, a rainha virgem.
A minha família, a propósito, tem uma historieta com a primeira rainha Elizabeth. Quando ela se recusou a casar com o monarca espanhol, Felipe II de Espanha, nos idos 1500 da Guerra anglo-espanhola (1585-1604), o problema foi parar no interior de Portugal, em Alenquer. O prefeito de Alenquer se alinhou com o interesse espanhol, de fazer guerra contra a Inglaterra, a despeito do ancião acordo de Windsor entre Inglaterra e Portugal. Ocorre que os alencarinos, apesar de muito católicos, eram nacionalistas, devotos à Pátria. Eram absolutamente contrários ao controle da Espanha sobre o território de Portugal, por vias da absorção da Inglaterra. De maneira que minha família mudou o nome, em tempos de guerra, de Alenquer, para Alencar, a fim de não ser confundidos com os partidários daquele prefeito traidor. Daí é que praticamente todo mundo passou a usar o nome de guerra, inclusive José de Alencar, hexatio.
Havia naquela época de Shakespeare também um humor parecido com a situação geral denunciada pelo livro que resenho: pois o prefeito usava seu cargo para obter vantagens pessoais. Convinha delimitar aquela estupidez, não ser complacente: mudamos o próprio sobrenome para nos desvincular da própria cidade em que vivíamos. Além disso, pesava também a questão civilizacional! Mulher não é objeto, é um ser humano. Era algo sujo, desdenhar da vontade de uma mulher, insistindo em se casar com uma mulher que não queria; e apenas uma aliança de pessoas muito inadequadas poderia aquiescer tão prontamente àquela propositura que dispensava o consentimento. Como poderia pretender governar, sendo tão sujo? E como a Igreja Catolica poderia aceitar uma boda sem o consentimento de uma das partes? Era o fator moral, mais do que a guerra, que dava fôlego ao movimento protestante na Europa. Uma breve memória para recordar a história está cheia de monarcas que não se dão conta da própria estupidez.
Causo à parte, e recordando um pouco dos ânimos do tempo de Shakespeare, o qual era então um autor razoavelmente desconhecido, escrevendo peças para o seu modesto teatro Globe, ele entretinha a rainha Elizabeth, rainha singular entre os monarcas da Europa, lutando com legitimidade total para defender sua dignidade e direito de governar sendo virgem. Certamente Shakespeare lhe oferecia o que ela mais precisava para triunfar: o brilho das ideias, a determinação de espírito nas palavras, o encontro de emoção e pensamento, sendo a poesia o lugar onde a justiça realiza a sua dimensão poética. Sem Shakespeare, talvez Elizabeth pudesse ter ganhado a guerra contra os espanhóis, é verdade, pelas virtudes militares dos ingleses; mas o seu triunfo não teria o mesmo sabor, tão delicioso para as mulheres, na posteridade.
Os reis e rainhas de verdade constumam mesmo ter um grande poeta como marca distintiva do seu propósito benigno de poder. Ou então o dispensam, como prova de seu propósito maligno. O rei Davi tinha Natã, cuja crítica sempre acolheu; o rei Salomão, a rainha de Sabá, cuja beleza era poesia para os versos dele, a qual ele nutriu com honras e poemas; o Imperador Cláudio e depois Nero tinham Sêneca, os quais não o suportaram; e Elizabeth teve Shakespeare. Poetas, profetas: pessoas que diziam o que era necessário, mesmo quando o que tinham a dizer não era conveniente.
Se vê o grau de êxito de um governante pela maneira que tratam os poetas – e profetas – que lhes advertem e lhes colocam os limites entre o que é moralmente plausível e o que é inadmissível, por meio das tantas alegorias que a literatura e a poesia permitem, na liberdade de criação. Ou mesmo diretamente… Sêneca foi condenado a se suicidar por Nero, o que ele fez com muita dignidade. Mas não deixou de escrever o que tinha de escrever. Fernando Pessoa guardou praticamente todos os seus versos num baú, na certeza de que seria hostilizado, tendo escrito com tanta ironia, por vezes, contra os sintomas de Salazar, pelo contraste do indivíduo.
Hoje os tempos talvez sejam outros, mais favoráveis, aos poetas? Ao menos em sabedoria os poetas talvez tenham progredido, evitando tanta proximidade com os altos cargos, escrevendo a uma maior distância, para não correr o risco de enfadar o poder.
Eu não tenho a pretensão de ser poeta de nenhum estadista, e nem me parece que Ion Parreah também tivesse, ao escolher o título desse livro. Convém muito mais aos poetas deste tempo ser os seus próprios estadistas, publicar os seus próprios livros, do que perder tempo com as armadilhas que o mercado e o poder, entrelaçados, gostam de alinhavar, para estar no controle do pensamento de quem escreve.
Mas considerando que todo leitor e internauta hoje se comporta como um monarca cuja opinião e vontade não podem ser questionadas, sempre presumindo a eles cabe a última palavra nos comentários das redes sociais, convém muito a figura do bobo da corte para fazer o leitor despertar desse torpor narcisista, e deixar de lado, pelo menos por um breve intervalo, que a sua opinião deva prevalecer sobre todas as outras– e inclusive sobre os fatos.
Se o meu leitor gosta de Fernando Pessoa, com certeza vai se deliciar em ler Ion Parreah. O texto dá muita porrada.
O livro é então narrado pelo bobo da corte shakespeareano, que comenta o mundo atual. Shakespeare já sabia que o bobo da corte diz verdades que o rei não pode ouvir e o autor atualiza isso com inteligência, sendo em seus livros uma personagem importante – Fool, Feste, Touchstone, Lavatch, Pompey, gravedigger, o próprio Hamlet, Bottom, Dogberry, entre outros. Eles são a consciência do rei, percebem a ilusão dos outros, ridicularizam tudo e todos, por vezes melancólicos, no fundo. O narrador é desse modo, sarcástico, livre, moralmente incisivo. Pois vestir-se como o bobo da corte permite dizer coisas duras sem soar professoral – algo com o que muito me identifico. E o “fool”, por sorte, não toma dano: pois se diz algo que parece ridículo, está mesmo no seu papel de ser ridículo e gozado por todos. A ironia mais deliciosa é quando o bobo diz a verdade com acurácia, sem dourar a pílula: quando os bobos então se tornam aqueles que se pretendem sérios, fingindo-se de sábios.
Sobre o teor do livro, penso que não devo dar spoilers, para não estragar o festim do leitor, nem o seu processo de cura, tão entorpecido pelas notícias de estupidez generalizada. Teço apenas alguns comentários em defesa do livro, porque preciso convencer meus leitores a abrir suas páginas e ter ele por perto; senão como uma obra de consulta, então como um amuleto no meio da degradação contemporânea. Deve ser apreciado como uma bebida forte, para depois da ressaca; para se proteger dos arroubos de irracionalidade das autoridades; das multidões que se ajoelham para autocratas, nos seus cargos mais altos, tão ocupados em elogiar a si mesmos, clamando a democracia.
O primeiro aspecto que me chamou a atenção nesse livro foi essa mudança na disposição psicológica: a opção pela ruptura, a recusa em ser cúmplice do que os poderosos fazem de mais estúpido. Para lucrar, para sobreviver, para trabalhar, o leitor justificaria que não seria possível romper inteiramente com a estupidez generalizada. Mas o autor recusa a complacência, comentando a estupidez caso a caso no mundo atual. O leitor acaba tendo de recusar junto com ele. O bobo toma o leitor pela mão e se o leitor resiste, ele o arrasta à força pelo livro, até se encarar sóbrio, novamente.
Nisto eu vejo como benigno o propósito do peso da repetição, o ritmo, humor, agressividade. Ele quer provocar — e consegue, pois escreve com energia. O livro não quer apenas analisar a estupidez: quer deslegitimá-la como espetáculo. A repetição, intensidade e ridicularização funcionam como uma martelada após martelada no cérebro complacente do leitor que buscava encontrar nuances, contradições e relativizar os eventos. O livro tem uma intenção ética forte e se vale de uma forma literária menos sutil, uma obra satírica. A tentativa de “destruir” a estupidez pela repetição e pela força é uma escolha estética necessária.
Prescinde também de comentários elogiosos na contracapa – coisa que fiz nos meus primeiros livros, e abandonei, infelizmente… Esse livro me deixa nostálgica de quando fui o que deveria ser: um incômodo, quando me incomodassem.
O autor também transforma figuras shakespeareanas em modelos recorrentes de comportamento atual: Macbeth seria o homem brilhante sem freio moral, ou o intelectual paralisado pela análise; Rei Lear, o governante movido pela vaidade; Otelo, o manipulador que destrói sem ganhar nada,; Dogberry, o burocrata incompetente com autoridade. Pode parecer uma simplificação, porque esses personagens são complexos, dentro do enredo de cada obra; mas é incontornável a magia da analogia funcional imediata. O “fool” narrando o livro e expondo o mundo ao leitor contorna, sublinha, expõe, desmonta a avalanche de estupidez. Ele atualiza o cenário de Shakespeare, em que poder, ego e ilusão resultam em colapso.
É uma ideia potente, a de que os problemas que vivemos resultam da estupidez, e não do mal. Macbeth não começa como vilão, nem Rei Lear como tirano, Otelo tampouco inicia a trama como assassino. Quando o leitor de Shakespeare se dá conta, virou cúmplice deles. É um grande salto, reavivar esse sistema teatral num cenário de colapso do qual o livro faz parte. Ele tenta expor a nossa falha cognitiva, traduzindo para o que existe hoje: políticos incompetentes, massas manipuláveis e tecnologias amplificando o erro. A tragédia (ou comédia) é em tempo real, enquanto lemos o que nos diz o bobo.
Depois de ler um manifesto contra a estupidez quase dogmático, chega o ponto em que o leitor talvez questione se a obra alcança o que pretende. Pergunta se o autor não acaba espelhando aquilo que critica, a estupidez ruidosa, a repetição de slogans e a simplificação. Shakespeare nunca “martela”: mostra Lear e deixa o leitor sofrer com ele, mostra Macbeth e deixa o leitor reconhecer algo em si, mostra Iago sem nunca explicar totalmente; jamais destruindo a estupidez, mas revelando e envolvendo o leitor nela. Tudo bem: Shakespeare é mais perigoso. Nunca diz, “olhem como eles são estúpidos”, mas lhe deixa pensando: “onde isso vive em mim?”.
Mas eu sou da humilde opinião de que o momento histórico talvez não permita mais toda essa delicadeza e sofisticação. Há momentos em que é preciso romper, não insinuar, com a segurança de demarcar uma referência. E, nesse sentido, defendo o livro que traz Shakespeare, para superar o bardo, pois não é literatura, apenas —mas uma intervenção. O livro quer acordar o leitor, por meio do choque, repetição e denúncia.
Ah! A grande literatura não acorda gritando, acorda o leitor deslocando suas certezas… A poesia deve se infiltrar delicadamente para anunciar o momento em que alguém troca verdade por aplauso, o instante em que o silêncio é abandonado… Mas isso é outra estupidez que o livro denuncia. Não! Há o momento em que se exige acordar gritando, sim… É preciso alcançar o auge da sabedoria de Hannah Arendt, poupar o leitor da riqueza e sabedoria das grandes teses e simplesmente dizer o que precisa ser dito: fulano é um idiota!
No seu desenvolvimento, o livro parte de uma intuição muito dura: a estupidez não é mais marginal, ela é aplaudida, amplificada, eleita e, pior, admirada quando performa com confiança. O martelo do bobo denuncia tudo isso, deixa de ser excesso e é uma necessidade estratégica. No cenário que temos, o autor recusa neutralidade, a ironia leve e a distância confortável dos eventos. Insiste, repete e expõe. Já passamos do ponto em que bastava sugerir.
O leitor viciado, automata da interpretação literária, certamente discordará de mim, na sua apreciação do livro. Dirá que é difícil preservar aquilo que está sendo defendido, quando se combate ruído com um ruído mais alto. Dirá que outras formas aprofundam, sustentam, transformam silenciosamente; que Shakespeare não faria isso. Mas eu afirmo: esse livro é necessário. Não reagir com força é uma forma de conivência. O livro reage com clareza, é frontal, sem concessões, manifesto contra o cinismo, toma partido da realidade contra a distorção dela. Nomeia o inimigo: não dilui tudo em complexidade infinita. Recusa o cansaço moral: não aceita que “é assim mesmo”. Cria urgência: transforma diagnóstico em ação.
É preciso ler esse livro até o fim, palavra por palavra, até desintoxicar todo o seu espírito da estupidez generalizada.
Ao final do livro, depois das marteladas ininterruptas, o leitor respira. Contempla a simplificação que ganhou força, nas fronteiras nítidas criadas entre “nós versus eles”, depara-se com o pensamento acelerado. Dá-se conta. E finalmente pode relaxar desintoxicado, encontrou onde estava a estupidez dentro de si: fez uma limpeza, lavou a alma. O autor não está certo porque explica melhor. Está certo porque recusa a complacência e toma consciência, algo que muita escrita contemporânea perdeu.
O leitor não deve esperar a solução de Shakespeare, mas vai encontrar ali algo muito melhor que um estilo: a condição de sobrevivência da lucidez. A catarse como defesa da mente, num ambiente em que a mentira é repetida até parecer natural, a superficialidade é premiada, o pensamento é ridicularizado, e a fofoca virou parecer jurídico para elevar os que menos fazem.
Fato é que a consciência não se mantém apenas por análise, e não poderia jamais se permitir encontrar num livro a fórmula completa. Sem essa higiene mental, de descarga emocional, afirmação clara e recusa visceral para restabelecer o chão das coisas, a lucidez não se sustenta. Assino embaixo desse manifesto: uma reafirmação de critérios, um grito contra a normalização do absurdo. Em tempos de degradação da inteligência, a lucidez precisa primeiro resistir, para depois compreender.
E há também alguns trechos muito interessantes, a aprofundar, na contemplação de que toda estupidez por vezes surge espontaneamente para reequilibrar uma injustiça que desdenhou a verdade. O leitor, aliás, fica a pensar se o escritor percebeu a sabedoria do que levantou e escreveu, numa grande amplitude que depende de uma parte a ser completada, por quem lê cuidadosamente, refletindo.
Nenhum livro resolve nada: a solução para a estupidez tem de estar fora do livro, no leitor que se transforma e adere ao fim da complacência. A obra “How Shakespeare Can Save the World” não contém a solução — e nem poderia. O que ele pode fazer é: interromper a inércia, quebrar a complacência e tornar o leitor incapaz de continuar como antes, deslocando quem lê até o limiar da decisão, onde finalmente nos permitimos a recusa concreta e fazemos a mudança de postura diante do mundo. A solução tem de estar fora do livro!
E até nisso a obra satisfaz, já que a estupidez generalizada fica exigindo e premiando obras que fazem tudo – inclusive o trabalho de pensar pelo leitor. Ali não se cai no erro de incluir um pensamento completo e redondo, livro que o leitor fecha satisfeito, para depois voltar aos seus assuntos. É um texto que consegue ser incômodo, praticamente uma macumba. Evoé!
Eu espero que os meus leitores se interessem em em abrir esse livro e possam também perder o conforto, romper com a ambiente e recusar certas formas de admiração social: párem de tolerar o que sabem que é falso, vazio, ou destrutivo, mesmo quando isso é popular, recompensado e normalizado. Ergam uma taça e façam um brinde ao rompimento! Quebrem a taça na beirada da mesa. Basta de estupidez! Murro na mesa, levantem-se da mesa. Um respiro de estar fora disso. Basta!
Um livro dificilmente possa salvar o mundo, e bom… Duvido também que mesmo um grande autor como Shakespeare possa salvar o mundo, quando a estupidez vem a ser tão generalizada e premiada. Mas esse livro testa se o leitor quer participar da sua própria salvação: exige do leitor uma posição. É importante não se deixar render a atmosfera lúgubre.
Apenas posso oferecer os meus cumprimentos a Ion Parreah por ter concluído essa obra necessária e de vasta dimensão, pelo seu êxito. Espero o livro venha a ter vários acréscimos, com os novos eventos, e várias edições, até se tornar a Bíblia contra a estupidez de nosso tempo. O tempo urge!
Obra:
“How Shakespeare Can Save the World: a Survival Guide Against the Apocalypse of Stupidity”, obra de Ion Parreah
Livro em inglês. Lançado em 20 de janeiro de 2026, 297p.
Link para comprar o livro:
Página do autor no Instagram com as pérolas do livro:
@ionparreah
* Ana Paula Arendt é cientista política, poeta e diplomata brasileira.



Comentários